“Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as escrituras. Foi sepultado, ressuscitou dos mortos ao terceiro dia, segundo as Escrituras. Apareceu a Cefas, e depois aos Doze. Em seguida, apareceu a mais de quinhentos irmãos de uma vez, a maioria dos quais ainda vive, enquanto outros já adormeceram. Posteriormente, apareceu a Tiago, e, depois, a todos os apóstolos. Em último lugar, apareceu também a mim, como a um abortivo.” 1Cor 15, 1-8

A proclamação da Ressurreição de Cristo era o principal anúncio da Igreja Primitiva. Cristo morreu por nossos pecados, mas, a morte foi vencida e Cristo ressuscitou, como primícias daqueles que também morreram.

Jesus, no seu ministério público, realizou inúmeras curas e milagres que estão relatados nos evangelhos. Seus ensinamentos e sua pregação, se difundiram rapidamente no mundo judaico a ponto de, por causa de sua fama, ele já não poder andar livremente pelas cidades. Onde se sabia da presença do Mestre, ali se aglomeravam uma grande multidão. Maravilhados seja com os ensinamentos do Senhor, seja com os prodígios sensacionais que realizava, como a multiplicação dos pães no deserto ou a ressurreição de Lázaro, todos queriam estar perto dele ou mesmo tocá-lo para também serem curados.

Esta fama de Jesus, por um lado, despertou o sentimento de revolução de alguns opositores do Império Romano, que dominava a região, e que esperavam por um messias político que libertaria o povo da opressão a que estavam submetidos, e, por outro lado, despertava a inveja dos religiosos de seu tempo, fariseus, doutores da lei e etc, que procuravam um jeito para matar Jesus.

Imaginem a confusão que se passava na cabeça do povo, mas também, e principalmente, entre os próprios apóstolos! Também eles esperavam que um dia Jesus fosse proclamado Rei de Israel. O sentimento de triunfo naquele domingo de ramos, em que Jesus entrou em Jerusalém louvado pela multidão, confirmava as expectativas de muitos deles. “É ele! Ele é o Messias que Israel esperava! Hosana ao Filho de Davi!”.

Podemos compreender, depois desta premissa, o sentimento de frustração de todos eles olhando para Cruz. O Messias, aquele que devia libertar o povo, estava crucificado, humilhado na cruz. Estava tudo consumado…

Quando, na madrugada daquele dia, os discípulos foram despertados com a euforia de Maria que fizera-lhes o primeiro anúncio da Ressurreição e após constatarem, com os próprios olhos que o Senhor Jesus Ressuscitou, como disse, e, que ele é o Senhor, o Kyrios, a alegria voltou ao coração dos Apóstolos. A esperança não engana. “Jesus está vivo!” Este se torna o grande anúncio dos cristãos de então e deve, sem dúvidas, ser o nosso principal anúncio: Jesus está vivo!

Os homens de hoje, como os contemporâneos de Cristo, precisam ouvir, não um anúncio teórico de quem aprendeu na catequese, mas o testemunho eloquente de quem, como Paulo relatou na passagem acima, também fez o seu encontro pessoal com o Senhor. A teoria e o conhecimento doutrinal, ajudam! Mas é o testemunho que convence.

Nós, cheios do Espírito Santo, precisamos da coragem, entusiasmo e ousadia, ou seja, de “parusia” para anunciar com poder esta verdade que não pode ser mitigada: Cristo Vive! Jesus é o Senhor! Aleluia! Mais do que professores de religião ou pregadores que dão notícias de Jesus, o mundo precisa de verdadeiras testemunhas da ressurreição de Cristo. Homens e mulheres imbuídos do espírito profético para testemunhar que o Senhor Vive! Está no meio de nós com todo o seu poder e graça, atuante na sua Igreja. E disto, nós somos testemunhas!

 

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Padre Clovis Cavalcanti de Albuquerque Neto

Instituto Divino Mestre – Brasília (DF)