“Esperando, esperei no Senhor” (Sl 39,2).

 

Caríssimos irmãos e irmãs, graça e paz!

Neste Ano Santo, em que celebramos 2025 anos da Encarnação do Verbo e 1700 anos do grande Concílio de Niceia, nós católicos somos chamados a mergulhar na virtude teologal da esperança, isto é, a nutrir dentro de nós a pré-disposição espiritual para aguardar em grande expectativa a ação iminente e sempre maravilhosa de Deus em nossas vidas, a cultivar uma viva e profunda aspiração ao céu, a caminhar perseverantemente rumo à bem-aventurança eterna.

Esta esperança precisa ser centrada em Deus. Jesus é a Nossa Esperança! A Sua Palavra e presença entre nós nos enchem da verdadeira esperança, que não é mero otimismo ou pensamento positivo, mas a certeza de que Deus é por nós e cumpre as Suas promessas. Com efeito, devemos esperar, mas não de qualquer maneira; devemos esperar no Senhor, isto é, escondidos Nele, vivendo como Ele deseja, em santidade e justiça, todos os dias da nossa vida (cf. Lc 1,75).

Esperar no Senhor significa ser santo porque Ele é santo (cf. Lv 11, 44). Deus nos criou à Sua imagem e semelhança e é assim que Ele nos quer ver e quer que vivamos. Esta é a vontade de Deus a nosso respeito: a nossa santificação (cf. I Ts 4,3). Portanto, é ordinária – e normativa – para nós cristãos a santidade. Foi para isso que fomos criados, faz parte da nossa essência ser santos (cf. Ef 1,4); o estranho é optarmos pela mediocridade, escolhermos deliberadamente o pecado.

E o que significa ser santo? Ser santo significa viver como um consagrado ao Senhor, alguém separado para Ele, alguém inteiramente dedicado e comprometido com Deus, totalmente entregue a Ele, alguém que livremente submete sua liberdade a Deus para ser feliz. Ser santo é ser semelhante a Jesus, ser santo é procurar viver a cada momento como filho de Deus. Ser santo significa ter uma vida impregnada de Deus, uma vida sem misturas. Ser santo significa não desviar os olhos de Jesus mesmo quando caímos. Olhando para Ele nos levantamos, graças à sua misericórdia que não tem fim.

A parábola das Virgens Prudentes (Mt 25,1-13) nos mostram como o Senhor quer que O esperemos: a virgindade ali invocada é a santidade que Ele espera de Sua Igreja; a prudência é a austeridade, a sobriedade com que os cristãos devemos caminhar neste mundo para não cairmos em tentação; as lamparinas são os nossos corações e o óleo é precisamente a esperança, a fé e a caridade.

Portanto, aproveitemos este tempo favorável, a Quaresma, para revisitarmos a nossa vida e ressuscitarmos com Cristo para uma vida nova. Com efeito, o primeiro e fundamental passo para a santidade é o reconhecimento do que precisa ser mudado em nós. A partir deste primeiro passo fundamental, que possamos nutrir um arrependimento sincero, isto é, uma profunda dor de alma pelos erros cometidos diante de Deus, assim como um desejo profundo de uma autêntica mudança de rota. Busquemos o sacerdote para a absolvição dos pecados por meio do Sacramento da Penitência, peçamos que o Senhor derrame e nos preencha com o Seu Espírito e nos empenhemos por uma vida nova em presença do Senhor.

Que Maria Santíssima, Rosto de Santidade, interceda por nós para que sejamos santos na presença do Senhor, todos os dias de nossas vidas!

 

Veni Sancte Spiritus!

 

Vinícius Rodrigues Simões

Presidente do Conselho Nacional da RCCBRASIL

 

G.O Jesus Senhor

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