São Paulo, na carta aos gálatas, elenca a paciência entre os frutos do Espírito (cf. Gl5,22). Lembremo-nos que um fruto é uma realidade natural para uma determinada planta. Ele aparece como consequência em um processo de maturação. Diversas condições influenciam nesse processo de produção de um fruto: qualidade da semente, tipo de terra, quantidade de água e luz que a planta recebe, etc. Na vida espiritual não é diferente!

Aquele que pretende produzir a paciência como fruto, precisa antes de tudo cultivá-la enquanto virtude. Vamos, portanto, nos deter um pouco no fundamento da virtude e do dom da paciência, para chegarmos ao seu fruto.

A Paciência é uma virtude moral ligada à virtude cardeal da fortaleza, por meio dela o cristão é chamado a suportar os sofrimentos e contrariedades, com Cristo, em Cristo e por meio dEle, tendo seu sublime exemplo como fonte de inspiração. São Paulo nos ensina: “Sede alegres na na esperança, pacientes na tribulação e perseverantes na oração” (Rm 12,12); “Se, pois, somos atribulados, é para a vossa consolação e salvação… a qual se efetua em vós pela paciência e tolerar os sofrimentos que nós suportamos” (2Cor 1,6); “nos gloriamos de vós nas igrejas de Deus, pela vossa paciência e fidelidade no meio de todas as perseguições e tribulações que sofreis (2Tess 1,4); “nos gloriamos até das tribulações. Pois sabemos que a tribulação produz a paciência” (Rm 5,3).

Há também a paciência relacionada à virtude teologal da esperança, por meio dela, aprendemos a esperar com constância, fidelidade e humildade o tempo de Deus, na certeza de que a sabedoria a e providência divina ordenam todas as coisas em vista do bem eterno. Na carta aos romanos lemos: “Nós que esperamos o que não vemos, é em paciência que o aguardamos” (Rm 8,25). Em Hebreus capítulo 6, versículo 15 lemos que Abraão alcançou a realização da promessa que Deus lhe fez “esperando com paciência”. O Apóstolo Tiago também orienta a paciência à espera da realização definitiva das promessas de salvação: “Tende, pois, paciência, meus irmãos, até a vinda do Senhor. Vede o lavrador: ele aguarda o precioso fruto da terra e tem paciência até receber a chuva do outono e a da primavera. Tende também vós paciência e fortalecei os vossos corações, porque a vinda do Senhor está próxima” (Tg 5,7-8).

Se desejamos o fruto da paciência, devemos exercitar sua virtude. Uma vida no Espírito é fundamental para se alcançar tal realidade. Não vamos esquecer que só podemos suportar sofrimentos com a grandeza de alma se nossas motivações forem puras, do contrário não há virtude. Há uma grande diferença entre resignação e sacrifício: a primeira é a aceitação de um sofrimento diante do qual nos sentimos impotentes, já o sacrifício é a oferta voluntária e sagrada de tal dor com a finalidade de unir-se a Cristo crucificado. Somente o Espirito Santo pode nos capacitar a uma vida de união à paixão do Senhor.

É também dom do Espírito Santo conseguir esperar tudo no tempo de Deus, mesmo quando tudo conduz ao contrário. Esse dom nos é extremamente necessário no processo da santificação, pois é a paciente fidelidade que nos liberta de nossas escravidões, sobretudo de nossa autossuficiência.

A paciência é um fruto saboroso, que só pode experimentar aqueles que alcançam o estado de liberdade frente a tudo que o rodeia. Gostaria de citar uma poesia, já conhecida, de Santa Tereza que reflete uma excelente manifestação do sentimento de quem alcançou tal fruto:

 

“Nada te perturbe, Nada te espante,
Tudo passa, Deus não muda,
A paciência tudo alcança;
Quem a Deus tem, Nada lhe falta:
Só Deus basta.
Eleva o pensamento, Ao céu sobe,
Por nada te angusties, Nada te perturbe.
A Jesus Cristo segue, Com grande entrega,
E, venha o que vier, Nada te espante.
Vês a glória do mundo? É glória vã;
Nada tem de estável, Tudo passa.
Deseje às coisas celestes, Que sempre duram;
Fiel e rico em promessas, Deus não muda.
Ama-o como merece, Bondade Imensa;
Quem a Deus tem, Mesmo que passe por momentos difíceis;
Sendo Deus o seu tesouro, Nada lhe falta.
SÓ DEUS BASTA!” Santa Tereza de Ávila

 

Padre Arthur da Silva Freitas

Membro do Ministério Cristo Sacerdote

Goiânia (Goiás)