Antes de nos unirmos como família, Deus, com seu infinito amor e bondade, nos escolheu como sua família, diz-nos que Lhe pertencemos. É dessa pertença que o Senhor nos convida a construir a “casa” sobre a “rocha” que é Deus.

É por intermédio da família que nos é apresentado a face misericordiosa de Deus, aquele que permuta reino pelos seus filhos, que desde o universo já sonhava e desejava que sua misericórdia fosse derramada no seio de uma família.

A família possui uma relação vital com a sociedade, pois estabelece o seu fundamento e alimento contínuo, mediante o dever de serviço à vida, no qual, por meio da família, os cidadãos encontram a primeira escola das virtudes sociais, que são a alma da vida e do desenvolvimento da sociedade. Assim, a família, por força da sua natureza e vocação, desdobra-se às outras famílias e à sociedade, expondo a sua tarefa social. Deste modo, a família constitui genuinamente o instrumento mais eficaz de humanização e de personalização da sociedade, contribuindo de forma relevante para a construção do mundo, guardando e transmitindo as virtudes e os valores. O fomento de uma autêntica e madura comunhão de pessoas dentro de uma família, torna-se a primeira e imprescindível escola de sociabilidade, estimulando as mais amplas relações comunitárias, no escopo da justiça, do amor e da misericórdia.

A função social da família não se limita na obra procriativa e educativa, embora seja primeira e imprescindível forma de expressão. É um dever das famílias promover obras de serviço social, em especial, junto aos pobres e necessitados, enfim, a todos aqueles que se encontrem desamparados pelas autoridades públicas, agindo de forma misericordiosa para com o próximo. Sendo assim, a família tem a função de fomentar a misericórdia na sociedade, para o bem comum de todos os homens.

Foi na família que Deus quis que seu filho único e amado fosse educado, amado e que aprendesse desde pequeno os frutos da obediência e misericórdia na família de Nazaré, pois é na família que aprendemos que Deus não se cansa de nos perdoar e de chamar-nos todos os dias para um recomeço e mudança de direção.

Deus quis e quer usar a família para que sua misericórdia seja conhecida e partilhada não só no ambiente familiar, mas em toda sociedade que estamos inseridos, porém, para sermos canais da misericórdia do Senhor na sociedade, temos que estar alicerçados no perdão diário, vivenciar a verdade e irradiar os frutos do Batismo do Espirito Santo cotidianamente.

A misericórdia da sociedade é fecundada na família, já que é por intermédio da família que conhecemos e reconhecemos o amor genuíno, amor que não nos pede nada em troca e é lá que podemos tirar as “máscaras” e mostrar a nossa verdadeira identidade, sem mentiras, oportunismo ou disfarces.

Papa Francisco em sua exortação Amoris Laetitia nos diz que a alegria do amor na família reafirma que o homem em seu mistério mais íntimo não é sozinho, mas está em família, cuja essência é o amor.

Quando a família permite que o amor de Deus entre e faça morada, contemplamos uma fonte de salvação, pois ela (família) se torna capaz de amar, perdoar, recomeçar, aceitar as diferenças, ser feliz e presentear a sociedade com filhos, maridos, esposas e netos mais equilibrados e prontos para transmitir a misericórdia do Senhor derramado em nossos corações.

 

Maria Josiane e José Eduardo Cayres

Grupo de Oração São João Paulo II – Diocese de Brasília (DF)

Coordenadores estaduais do Ministério para as Famílias do Distrito Federal